Aparelhos de música portáteis podem causar perda auditiva

Nos últimos anos observamos uma enorme popularização no meio das crianças e adolescentes do uso de parelhos de música portáteis, incluindo os celulares. Na onda deste crescimento, a exposição de crianças e adolescentes à música em volume alto aumentou drasticamente e, na mesma proporção, os riscos de danos à saúde.

Sabe-se que ouvir música sempre foi uma prática normal entre as crianças e jovens, porém atualmente nos deparamos com uma situação inusitada: a exposição contínua da terceira parte do ouvido (orelha interna) a altas intensidades de som e por períodos muito superiores aos praticados anteriormente. Antes, os jovens que gostavam de ouvir música em alto volume, paravam algumas vezes para trocar o disco, ou a fita cassete, ou mais recentemente, o CD. Com essas pausas, às vezes mudavam o rumo para outras atividades que não fosse a música. Hoje, com os aparelhos de som modernos (MPs) ou celulares isso mudou muito. Hoje os parelhos portáteis de música têm baterias de longa duração associadas à possibilidade de se ter no equipamento milhares de músicas, podendo-se escutá-las, uma após a outra, sem repeti-las, por horas ou até mesmo dias, acordado ou dormindo, o que pode prejudicar muito a audição.

Os aparelhos de som portáteis (MPs) chegam facilmente a intensidade sonora de 120 dB, intensidade suficiente para provocar perda auditiva após utilização diária por mais de cinco minutos. Para comparação: os níveis de som em shows de rock foram registrados em 120 a 140 dB e aqueles em bares e casas noturnas podem atingir intensidades sonoras maiores que 95 dB.

Estudiosos do assunto alertam: devemos evitar que as crianças exponham-se a sons de intensidade muito alta. A exposição freqüente e por períodos prolongados com o uso dos fones de ouvido, pode acarretar perda auditiva, além de prejudicar no aprendizado escolar, causar vertigem, dor de ouvido, sensação de “ouvido cheio” e zumbido. Os familiares destas crianças e jovens desconhecem que estes aparelhos de som portáteis são potencialmente capazes de causar uma lesão irreparável na orelha interna.

A doença auditiva mais comum encontrada pela exposição a sons altos é a Perda Auditiva do tipo Sensorioneural, que acomete as freqüências de 3 a 6 KHz. Portanto, não há tratamento para lesões auditivas decorrente de tal exposição, sendo o mais recomendado a proteção das crianças e adolescentes contra músicas de intensidade igual ou superior a 85 dB.

Algumas dicas importantes: os fones que ficam sobre as orelhas são os mais recomendados e deve-se limitar o tempo de uso dos aparelhos de som portáteis ao dia, não ultrapassando os 3 minutos por hora.

O Otorrinolaringologista é o médico especializado em prevenir, diagnosticar e tratar os problemas da audição e na presença de queixas como: zumbidos, vertigem e sensação de “ouvido cheio”.

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