Hábitos alimentares se formam deste o útero até a primeira infância. Não é fácil ensinar uma criança a se alimentar bem. Mais difícil ainda é ensinar quando os pais também não comem de forma adequada. A criança é aquilo que queremos que ela seja, seja no modo de se comportar, de se alimentar ou de se posicionar diante do mundo. A formação de valores ocorre em especial até o 7º ano de vida.

As boas práticas alimentares se iniciam já durante a gestação: é sabido que as gestantes que se alimentam com variedade de legumes, hortaliças, frutas, grãos, carboidratos de boa qualidade, com baixo consumo de açúcar e gordura, ensinam aos seus filhos ainda fetos a terem um paladar mais amplo, com melhora da aceitação dos alimentos quando eles forem introduzidos no momento oportuno.

O aleitamento materno exclusivo (ou seja: sem chá, água, fórmulas infantis e leite de vaca) durante os 6 primeiros meses é um forte aliado na proteção e formação do paladar deste bebê. A introdução precoce e de maneira equivocada de alimentos que não o leite materno pode trazer vários problemas nutricionais, já desde muito novo.

Cerca de 25-35% (HALPERN, 2015) dos pais têm como queixa “meu filho não come”. Dentre estes, podemos encontrar crianças que se alimentam bem, mas não consomem a quantidade que os pais gostariam, além de crianças que realmente não comem bem, nem em quantidade nem em qualidade, e que estão desnutridas (sejam elas com baixo peso, com peso normal – fome oculta, ou acima do peso).

Deste o momento da introdução dos alimentos ao bebê, temos que estruturar as refeições de modo a garantir as necessidades diárias de cada alimento, além de oferecermos consistência e modo de preparo adequado a cada idade e etapa do desenvolvimento. Uma criança pequena precisa de cerca de 500 mL de leite ao dia, com 2 porções de frutas e cereais e 2 refeições principais. Até o 1º ano de idade deve-se evitar ao máximo o consumo de sal, temperos prontos e açúcar. O açúcar, em especial, deve ser evitado até os 2 anos de idade ou mais. É proibido o consumo de mel até 1 ano de idade. Quanto maior a variedade dos alimentos oferecidos, mais amplo será o paladar daquela criança.

Já para as crianças maiores, a orientação é: sempre comer em local apropriado, sem distração (TV, música, joguinhos, celular, etc.); com porções adequadas a cada faixa etária; preencher o pré requisito de ter cinco cores no prato (divididas pelos grupos alimentares); não beliscar entre as refeições; evitar ações punitivas durante a refeição; nunca substituir o alimento do horário por leite ou qualquer outro petisco; e deixar somente para o final de semana as guloseimas, mas em pequena quantidade.

Alguns alimentos têm apelo comercial muito grande, mas são extremamente maléficos à saúde das crianças e adultos, tais como: macarrão instantâneo, biscoitos recheados, bebidas lácteas açucaradas, salgadinhos fritos, bolos industrializados, sucos artificiais e refrigerantes. Eles são um dos principais motivos de sobrepeso/obesidade, além de alteração da pressão, glicose e colesterol na infância.

É de fundamental importância que o pediatra aconselhe os pais de modo a prevenir os erros alimentares. Porém, os pais devem estar cientes de que o desafio não é fácil. Forçar a criança a comer não é aconselhável em nenhuma idade, mas é dever dos pais levar para casa somente aquilo que se quer que a criança coma (alimentos nutritivos).

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