Na maioria das vezes, ao abordarem o pediatra em relação às dificuldades para dormir de seus filhos, os pais o fazem de maneira desesperada, angustiados por terem “tentado de tudo” e mesmo assim não terem obtido sucesso.

O que está por trás destas crianças, em especial lactentes (0 a 2 anos de idade), que apresentam dificuldades para iniciar o sono, não têm horário para dormir, acordam várias vezes à noite e dormem com os pais (cooleito), além de pais exaustos com esta rotina?
Segundo Nunes, o padrão normal de sono varia com a faixa etária:

O recém-nascido apresenta ciclos de 3 a 4 horas de sono contínuo com intervalos de 1 hora de despertar, independente de ser dia ou noite. Predomina o sono REM (sono ativo), em que é mais vulnerável à influência do meio ambiente. No final do 1º mês de vida, os sonos noturnos passam a ser mais longos e a ciclagem do sono começa a ter influência do dia/noite.

Por volta do 3º mês o sono inicia-se na fase N-REM (sono calmo) e até o 6º mês esta transição já deve ter sido feita por 90% dos bebês. Nesta fase, o período de sono ininterrupto geralmente não ultrapassa 3 horas e meia.

Já no 6º mês, o sono noturno é dividido em 2 períodos contínuos com despertar único e a criança se mantém mais acordada ao longo do dia.

Entre 9 e 10 meses o lactente apresenta 2 sonecas ao longo do dia com duração de 1 a 2 horas cada, dormindo em média 9 a 10 horas seguidas à noite. A consolidação do sono noturno ocorre aos 12 meses.

Entre 2 e 3 anos ocorrem longos períodos de sono noturno (10 a 12 horas) com 1 a 2 sonecas ao longo do dia, que reduzem para uma aos três anos, geralmente à tarde.

Aos 5 anos geralmente não ocorrem mais sonecas diurnas e até os dez ocorre redução gradual do tempo total de sono para em torno de 8h (padrão do adulto).

Os principais problemas relacionados aos distúrbios do sono são, na maioria das vezes, maus hábitos perpetuados pelos pais e os problemas médicos são raros.

Os distúrbios de associação do início do sono são muito comuns, especialmente nos lactentes, e são decorrentes da incapacidade destes de iniciarem o sono ou voltarem a dormir espontaneamente em decorrência dos estímulos impostos pelos pais, tais como: ficar no colo e serem embaladas, cooleito, e dormir após alimentação, requerendo as mesmas medidas indutoras do sono, e assim, do envolvimento dos pais.

A dificuldade em se separar pode não ser só da criança, mas também dos seus pais, seja pela “culpa” em trabalhar o dia todo ou da dificuldade em dizer não ao seu filho.

Outro grande problema é a falta de rotina do sono. São três os pilares de um bom sono: 1) ambiente escurecido, silencioso e com temperatura adequada; 2) horários de dormir e acordar consistentes e regulares, mesmos os diurnos (estes nunca ultrapassando o horário das 16 horas); e 3) atividades prévias ao dormir de baixa intensidade (como leitura), sem uso de dispositivos eletrônicos.

Em próximo artigo, discutiremos técnicas de abordagem comportamental dos distúrbios do sono.

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