Obesidade: efeito colateral da vida moderna que também atinge crianças

A obesidade já é uma epidemia mundial que acomete adultos e crianças e é uma condição em piora progressiva. Estudo brasileiro de 2002 mostrou que 8,2% das crianças do Sudeste eram obesas (Abrantes, 2002). Já pesquisa do IBGE publicada em 2010 mostrou que 36,6% das crianças brasileiras entre 5 e 9 anos estão com sobrepeso ou obesidade.

E o pior é que as pessoas estão se acostumando com o “padrão gordinho” e o achando normal. Muitas pessoas vêem um bebê cheio de dobrinhas e com as bochechas rechonchudas e acham que é a “coisa mais fofa do mundo”, mesmo que esse bebê tenha somente 1 ano de vida e pese 20kg (peso médio de uma criança de 4 anos).

Por outro lado, nossa sociedade se vê cada vez mais imersa no mundo de consumo e acúmulo. É um mundo que valoriza o que você consome não só em bens materiais, mas também em comida. A felicidade para muitos se manifesta na possibilidade de consumir o maior número de alimentos possível. Os pais se orgulham de ter a mesa farta em casa, entretanto fartura não é sinônimo de saúde, especialmente se faltam verduras, legumes e frutas nessa mesa.

Depois que os produtos industrializados ficaram mais acessíveis, as pessoas consomem em grande quantidade este tipo de alimento, freqüentemente rico em açúcar, gordura, sal e conservantes, ingredientes que, em excesso, são grandes vilões de quem busca uma vida saudável.

Por outro lado, as crianças e adolescentes estão cada vez mais sedentárias. Praticamente não andam a pé e fazem qualquer deslocamento de carro, mesmo que curto. Além disso, gastam várias horas na frente de aparelhos como televisão, videogame, computador, etc. É o chamado “tempo de tela”, que deveria ser de no máximo 2 horas por dia.

Atualmente, os pequenos não brincam mais na rua ou quase não andam de bicicleta, atividades completamente naturais e corriqueiras para jovens há alguns anos. As crianças ficam presas em casa, reféns do medo dos pais da violência nas ruas e do trânsito agressivo e desrespeitoso.

E o preço que se paga por esse estilo de vida supostamente “moderno” é muito caro: a obesidade traz consigo complicações que podem começar na infância e persistir por toda a vida adulta: diabetes, hipertensão, colesterol alto, problemas nas articulações, entre outros. Todos estes são problemas de saúde que antes eram comuns somente em idosos.

Então, qual é o caminho para evitar que a obesidade faça parte da vida das crianças e adolescentes?
A criança deve ser educada a comer bem desde sempre e os pais devem dar o exemplo. Comer verduras e frutas na frente das crianças já é um bom começo. Além disso, se os pais não querem que seus filhos comam biscoitos recheados ou salgadinhos industrializados, por exemplo, não devem deixar que estes tipos de alimentos entrem em casa. Outra dica é reunir a família para preparar as refeições e envolver as crianças no processamento dos alimentos, evitando alimentos industrializados e preferindo alimentos naturais.
Todos os familiares devem ser estimulados a se exercitarem juntos, e uma opção prazerosa é fazer atividades ao ar livre, nas praças e parques.

O tempo que se dedica àqueles que se ama nunca é desperdício. Cozinhar os próprios alimentos e fazer atividade física nunca é perder tempo, é ganhar saúde.

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