Muitas vezes vemos no consultório do Otorrinolaringologista Pediátrico crianças que ficaram roucas e foram excluídas do convívio com outras em decorrência de rouquidão. Em geral, são crianças com rouquidão leve e persistente, que são levadas ao consultório médico pelos pais dizendo que as mesmas não vão bem na escola porque se sentem retraídas e tímidas devido à alteração da voz. Também podemos encontrar crianças menores com rouquidão, muitas vezes por falarem alto, sendo um hábito típico de determinadas famílias.

A criança com voz rouca tem comprometimento de um órgão chamado laringe, que é constituída por um conjunto de cartilagens unidas por ligamentos, membranas e músculos. A laringe tem várias funções, sendo a fala a mais importante. Devemos abordar a rouquidão pediátrica com o compromisso de entender o distúrbio através da conversa com os pais durante a consulta médica, exame físico e exame endoscópico cuidadosos.

As alterações na voz são muito comuns entre as crianças e estima-se prevalência de 6 a 23% naquelas com idade escolar. Alguns adolescentes entre 10 a 17 anos de idade também podem apresentar transtornos na voz causados por variações hormonais comuns da transição para a idade adulta.

As causas de rouquidão mais comuns nas crianças são: laringites infecciosas e inflamatórias, traumas, mudança de voz no adolescente, além de abuso e mau uso vocal. As causas que ocorrem com menor freqüência são: deformidades laríngeas ao nascer, massas laríngeas, transtornos neurológicos e surdez. É importante lembrar que a rouquidão que perdura por mais do que duas semanas não tem como base uma patologia causada por vírus ou bactérias.

O diagnóstico de rouquidão é complementado pela avaliação anatômica das pregas vocais, utilizando-se exame endoscópico rígido ou flexível com vídeo, além da vídeo–estroboscopia, facilmente aplicáveis nas crianças. A lesão laríngea mais frequentemente diagnosticada nas crianças é o nódulo de prega vocal. É considerada uma lesão benigna e acomete crianças entre 7 a 9 anos de ambos os sexos, com leve prevalência nos meninos.

Em termos de tratamento, consideramos que 50% das crianças que chegam ao nosso consultório com rouquidão precisarão ser encaminhadas para avaliação do Fonoaudiólogo. Estas são, na maioria, as crianças com nódulo de prega vocal. As demais crianças receberão tratamento clínico e uma minoria será encaminhada para tratamento cirúrgico. Com esta abordagem, a criança com rouquidão não precisa ser discriminada ou ser vítima de bullying e receber apelidos estigmatizantes como “pato rouco”. Ela será avaliada de forma multidisciplinar com bons resultados no seu tratamento.

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